Chegada dos filhos, e agora?

04 out
2014
  Intimidades por Lúcia Soarespor   
Foto: Widja Soares

Foto: Widja Soares

 

Este é um desafio que todo casal constituído e que venha a ter filhos um dia irá se deparar.

Nas últimas décadas observamos mudanças com relação à rotina de um casal. Antes era reservada a mulher apenas os papéis de esposa, dona de casa e mãe. O sexo tinha um espaço tímido na vida delas. Já ao homem cabia às atividades onde pudessem garantir o sustento da casa e a condução da vida sexual do casal. Os tempos mudam, e hoje com a tripla jornada de trabalho das mulheres, cada vez mais os homens estão tendo que se render a divisão de tarefas dentro do lar com o objetivo de manter o equilíbrio familiar. E quando chegam os filhos? Ai sim, em muitos casos essas dificuldades aumentam. E neste sentido, de uma forma ou de outra, quase todos os casais experimentam algumas dificuldades no relacionamento quando desta etapa. Na convivência, surgirão novos desafios. Será necessário disposição e tempo para a construção de uma nova rotina onde o “eu” dividirá espaço com o “nós”. As dificuldades devem ser enfrentadas com muito respeito e diálogo e muitas vezes o apoio de um/a profissional é de fundamental importância. Um bebê muda o relacionamento do casal para sempre – mas não precisa necessariamente ser para pior. O aumento de responsabilidades e os cuidados com o bebê geralmente vem quase que exclusivamente da mãe e com essa exaltação da maternidade a mulher deixa, muitas vezes de lado o seu papel de esposa e de pessoa com suas necessidades próprias vivenciando apenas seu papel de mãe. É muito comum o marido, agora pai, sentir-se deslocado, preterido, carente e enciumado. Dai pode se instalar o conflito nesta nova fase da formação familiar. Incluir o pai nos cuidados do bebê e manter a proximidade do casal é fundamental para a manutenção do bem estar da família. Além do que, incluir o pai nesses cuidados iniciais é essencial pois é através desse “toque” muito naturalmente realizado pela mãe durante a amamentação, banhos, etc.  que o pai também poderá construir de maneira tranquila o vínculo afetivo com seu/a filho/a. O primeiro ano tende a ser o mais difícil. A melhor adaptação dependerá do quanto o casal estará disposto a driblar as dificuldades que agora surgem. Toda mudança carrega inseguranças e muitas vezes desgastes. E para melhor lidar com essas mudanças após o nascimento dos filhos, é fundamental a parceria e o diálogo.

E a vida sexual?  Com tantos afazeres o tempo para o casal diminui dai o romance e o sexo já não são prioridades. Jantares, saídas, sexo casual, já não são frequentes. E qual o antídoto?  Estabeleça um tempo para o casal. Se os pais estão bem os filhos também estarão. Se você negligenciar o casamento para se concentrar apenas nas crianças, são elas quem irão sofrer em algum momento. Portanto, arranjem um tempo só para o casal, sem os filhos pelo menos uma vez por semana. Além disso, vocês merecem um tempo, em separado, para fazerem exercícios, sair com os amigos, ler um livro ou mesmo repor as energias com um bom tempo de sono. Demonstrem afeto e admiração um pelo outro. E não esqueçam que romance faz parte da vida sexual. É importante colocar que algum distanciamento do casal com a chegada do/a filho/a é esperado por tudo que já foi descrito anteriormente, porém esse afastamento entre os cônjuges em grande parte é passageiro e não implica necessariamente em uma  intervenção clínica. Mas se as coisas parecem fugir ao controle do casal, se faz importante a busca de profissional especializado em ajudar o casal a resgatar a harmonia na relação. Quanto mais duradouro o relacionamento mais aparecerão às dificuldades. E isso não quer dizer necessariamente que o relacionamento está fracassando, e sim que ajustes são necessários na adaptação de uma convivência saudável. Neste sentido, os dois têm que querer dar certo. Isso significa não desistir nas primeiras dificuldades, e acreditar no amor que um dia os uniu e gerou esse fruto maravilhoso, que é o filho de vocês.

Por Lúcia Soares

Psicoterapeuta e Especialista em Sexualidade Humana 

Contato: luciasoares_silva@hotmail.com

Qual intimidade você busca?

27 jan
2014
  Intimidades por Lúcia Soarespor   

Olá querido leitores! Começa oficialmente hoje a Coluna Intimidades com Lúcia Soares. E logo de cara o primeiro assunto será a própria intimidade que dá nome a coluna. Espero que a coluna ajude e abra os olhos de todos para vários temas.

Com a palavra, Lúcia…

“Olá, estamos inaugurando o novo espaço aqui  no blog Casa Casada escrito por Lara Cavalcanti para falarmos sobre “intimidades”. Irei abordar temas como namoro, amor, paixão, sexo, saúde e prazer. A ideia é de abrir um canal de comunicação para mulheres e homens, jovens e adultos que queiram de forma clara e objetiva esclarecer suas dúvidas sobre os temas citados. Dicas de filmes, livros também serão colocados . Tudo para facilitar uma maior reflexão e compreensão sobre o que pensamos e sentimos acerca dos relacionamentos e as várias formas de vivê-los. É isso ai gente, espero receber comentários e sugestões”.

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 Intimidade

Da nossa língua portuguesa, “qualidade de íntimo. Amizade íntima, relações intimas. Familiaridade”.

Mas de que intimidade estamos falando? Intimidade física ou emocional?

A intimidade física é hoje a mais propagada e fácil. O contato físico está cada vez mais presente nas relações. Na maioria dos namoros parece já ser via direta. Na sequência, os pares se conhecem, se beijam e entre um amasso e outro a transa acontece.

Entendemos que a intimidade física e a sexualidade são estímulos fortes e importantes para a vida, mas isolados não criam vínculos nem mantém a relação estável. Assim como outros estímulos vitais, duram pouco.

Já a intimidade emocional se instala, geralmente, nas longas conversas onde falamos de nós e ouvimos atentos às experiências do outro. Esta é resultado de uma autêntica relação, ou seja, quando alguém existe, se expressa e um outro recebe e se envolve.

Algumas relações podem evoluir sem a necessidade da intimidade física, daí surge a amizade. E quando ao contrário a relação avança além da amizade, a necessidade física vai crescendo ativando desejos e sensações podemos dizer que a paixão está se instalando.

E a paixão? Bom, esta merece um capítulo à parte. Voltemos para a “intimidade”.

Intimidade é você não precisar verbalizar tudo o que pensa, é aceitar a solidão do outro, é estarem familiarizados com o silêncio de cada um. Intimidade é não precisar estar linda/o em todos os momentos, não precisar ser coerente em todas as atitudes, é rirem juntos de uma história que só vocês sabem contá-la.

É possível o contato físico (sexo) sem intimidade?

Após a chamada “liberação sexual” uma nova categoria de interação sexual surge. O “ficar”, situação onde as pessoas por vezes experimentam a intimidade física sem necessariamente a intimidade emocional. Algumas dessas experiências podem resultar numa relação amorosa, porém a intimidade física isolada não preserva a relação nem traz os cuidados importantes para a manutenção da mesma. Em grande escala uma relação apenas baseada na intimidade física fica pautada apenas em satisfazer desejos físicos deixando em segundo plano a satisfação na troca de olhares, toques afetivos, palavras que nos move internamente, etc.

Sabemos que o primeiro local onde aprendemos a intimidade emocional é dentro de nossas famílias, por isso é importante a criança desde muito cedo ser encorajada para expressar seus sentimentos estando abertas também para a compreensão dos sentimentos alheios.

Enfim, o caminho para se trilhar em busca das relações afetivas varia ora inicialmente pela intimidade física ora pela intimidade emocional, contudo se almejamos relações mais duradouras e profundas buscando à formação de casal e de família, precisamos compreender que a intimidade física, sem a intimidade emocional, não sustenta a relação por longo tempo.

Boa sorte!

Por Lúcia Soares

Psicoterapeuta e Especialista em Sexualidade Humana 

Contato: luciasoares_silva@hotmail.com

 

 

 

Vocês querem falar de…

22 dez
2013
  Intimidades por Lúcia Soarespor   

… INTIMIDADES???

Aposto que sim! Afinal, é um tema que interessa à todos e que precisa ser cada vez mais falado para que seja também cada vez mais entendido. Como AMO passar a palavra para quem entende do assunto, dessa vez convidei para ser colunista do blog, a especialista em sexualidade, Lúcia Soares. Ela participou do lançamento do Chá de Lingerie do Ikat com Amor Perfeito Lingerie, lembram? E quem esteve lá sabe, foi um sucesso! Conversamos, trocamos emails e afinamos que a participação de Lúcia seria uma vez por mês aqui no blog. E os temas? Ahhhh, vão ser muitos. Ela vai conversar com vocês aqui a partir de janeiro, mas desde já podem mandar sugestões de temas que interessam para os contatos dela ou mesmo para o email do blog que é o contato@casacasada.com.br

coluna intimidades

Nada de vergonha, ok?! Suas dúvidas vão ser respondidas e se você quiser pode pedir para sua identidade não ser revelada. O importante é compartilhar a dúvida com todos!!!

Lúcia Soares - Psicóloga, especialista em sexualidade, coordenadora de projetos sociais, facilitadora de cursos, palestras e oficinas sobre Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva  e consultora da Rede NUTES - Núcleo de Telessaúde da UFPE.

Lúcia Soares – Psicóloga, especialista em sexualidade, coordenadora de projetos sociais, facilitadora de cursos, palestras e oficinas sobre Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva e consultora da Rede NUTES – Núcleo de Telessaúde da UFPE.

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E-mail: luciasoares_silva@hotmail.com

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